sexta-feira, 28 de novembro de 2014

"Vila", um dos quadros da mostra de Luiz Raphael Domingues Rosa


Um jardim bem cuidado enfeita e alegra as casinhas da vila. Enfileiradas, se distinguem umas das outras pelo colorido suave da luz que o artista cria com tintas e pincéis, iluminando a manhã que avança sobre o bairro do Rosário. Um momento de silêncio na cidade que não vemos por inteira. Apenas as flores se exibem, únicas habitantes, donas e senhoras daquele colorido e privilegiado corredor de casas geminadas.

Um poste, preso aos fios de luz que nele terminam, lembra que há toda uma agitação na cidade que amanhece, além desse recorte do Paraíso. Quem mora aí? O que fazem enquanto suas janelas se abrem para a beleza do dia, para a exuberância das flores, para a suave timidez do sol? Espreguiçam-se esfregando o sono que insiste em ficar só mais 5 minutinhos? Vestem-se para o trabalho? Tomam o café da manhã conversando em família? Arrumam os lençóis desfeitos nas camas? Será que se ouve o choro manhoso de um bebê, ou as notícias nas vozes que vêm do rádio?

Luiz Raphael Domingues Rosa, o artista que recriou em tela as ruas, praças, logradouros e contornos da sua amada Leopoldina, transporta o observador para a intimidade da sua cidade. Nos leva a conhecer (e reconhecer) recantos insuspeitos de existirem, aqueles que somente o bom observador se permite o tempo em contemplação.

Numa composição com um ponto de fuga quase central, Luiz Raphael convida o olho do espectador a percorrer o corredor onde os verdes, mais escuros, fazem contraponto com a paleta de cores primárias e quentes usadas para definir as flores e, mais suavizadas para retratar a luz solar quase fria da manhã, paredes das casas. Somente as telhas de barro avermelhado, da casa onde todas as linhas mestras da composição partem, criam uma mancha de cor que nos leva a observar a palmeira que, espraiando-se sobre o azul do céu leopoldinense, a tudo parece observar.

A Casa de Leitura Lya Botelho, graças à imprescindível colaboração dos Srs. Elias Abrahim Neto e Rubens Maia, e à generosidade do empréstimo das obras por seus proprietários, reuniu mais de 20 trabalhos originais de pintura à óleo sobre tela do saudoso leopoldinense Luiz Raphael Domingues Rosa em uma exposição denominada LEOPOLDINA E LUIZ RAPHAEL: UM CASO DE AMOR.

Agradecemos ao Patrocínio da ENERGISA e ao Apoio Cultural da FOJB-Fundação Ormeo Junqueira Botelho, que viabilizaram essa mostra, e aos órgãos de divulgação que de maneira espontânea, têm colaborado com a Casa de Leitura Lya Botelho e, constantemente, contribuído para que nossos eventos e demais ações culturais atinjam ao maior número possível de pessoas.


Quadro: “Luiz” (Vila da R. Joaquim Ferreira Brito – 1994) / Acervo: Dr. Ormeo Lopes Faria Filho

Novembro/2014: Visitantes às exposições








































LEOPOLDINA E LUIZ RAPHAEL: UM CASO DE AMOR


Professor, artista plástico, conservador, pesquisador, ativista cultural, memorialista são alguns dos qualificativos que Luiz Raphael Domingues Rosa soube tão bem assimilar e pelos quais é lembrado e reverenciado. Fiel representante dos chamados “homens Renascentistas”, indivíduos de múltiplos e admiráveis talentos, deixou um legado de inestimável valor do qual, hoje, a Casa de Leitura Lya Botelho hospeda uma parcela na exposição “LEOPOLDINA E LUIZ RAPHAEL: UM CASO DE AMOR”.

Se a sua luta preservacionista é por todos conhecida, na árdua labuta em manter e impedir que desaparecessem os traços da permanência do poeta paraibano Augusto dos Anjos na cidade, é em sua expressão artística que vamos encontrar o desenhista, o pintor, o professor mas, sobretudo, o atento memorialista.

Se me permitirem fazer uma analogia, poderia dizer que o poeta e músico leopoldinense Antonio Sérgio Lima Freire (1945-2008), o Serginho do Rock e Luiz Raphael, o “Fael”, contemporâneos que foram, compartilharam uma singular característica: praticamente toda a sua produção artística é centrada em sua terra, na “pequena” Leopoldina, em seus tipos humanos e sua geografia. Cada um, à sua maneira, preservou “instantâneos” da cidade e seus arredores exaltando suas formas, seus aspectos mais corriqueiros, a sua singela beleza, preservando-a para sempre, inalterada.

Como artista plástico, autor de diversas aquarelas, desenhos telas a óleo e acrílica, Luiz Raphael associa o olhar amoroso do cidadão apaixonado pela sua terra e seu povo com um outro, mais preciso, menos idealizado, o do memorialista comprometido no registro da verdade, do real. Observa-se em muitas de suas obras a precisão quase fotográfica no desenho e colorido dos elementos arquitetônicos existentes associados a um entorno onde o ser humano e demais elementos são “interpretados” mais livremente pelo artista. Herdeiro de uma longa tradição de pintores documentaristas que incluem nomes como Debret, Rugendas, Eckhout, só para citar os mais conhecidos, que tiveram como missão registrar em todos os seus detalhes um Brasil recém-descoberto, Luiz Raphael olha para a sua cidade com a mesma admiração de quem a vê pela primeira vez. Os “anjinhos” na festa da Igreja do Rosário, a marcante presença do Morro do Cruzeiro, as palmeiras imperiais da Praça Félix Martins, a velha sorveteria, em tudo há poesia e verdade. A realidade coexiste inseparável do olhar amoroso do artista.

Esta exposição, que acontece durante a passagem do centenário da morte do poeta Augusto dos Anjos, de quem Luiz Raphael definia-se como “mordomo”, reúne obras de diversas épocas, pertencentes a coleções particulares, inclusive da própria família do artista e que foram gentilmente cedidas graças ao valioso empenho do pesquisador leopoldinense Elias Abrahim Neto.

O visitante irá, certamente, identificar lugares e situações ao visitar a mostra, aceitando o convite do artista para “re-ler” sua cidade, renovando seu olhar e estima pelas suas belezas naturais e outras edificadas através de gerações. Nesse resgate de valores, a importância da conservação patrimonial e o seu registro através de todas as manifestações artísticas e equipamentos tecnológicos se faz evidente e necessária. Não há futuro onde o passado é negado, omitido, abandonado. Provavelmente não teríamos o Museu Espaço dos Anjos na própria casa onde viveu e morreu o poeta, não fosse pelo empenho abnegado de Luiz Raphael Domingues Rosa. Não estaríamos hoje apreciando sua obra, não fosse o cuidado dos proprietários desses quadros expostos em conservá-los, da família Domingues Rosa e, naturalmente, do patrocínio da ENERGISA, da Prefeitura Municipal de Leopoldina, Secretaria de Educação e  Secretaria de Cultura, Esportes, Turismo e Lazer de Leopoldina e o contínuo apoio da FOJB-Fundação Ormeo Junqueira Botelho.

Convidamos, então, a todos para apreciarem Leopoldina através do sensível e apaixonado olhar de um dos seus mais destacados filhos. Salve, Luiz Raphael!

A exposição permanece aberta ao público de 4 de novembro a 20 de dezembro de 2014.

Leopoldina, Novembro/Dezembro de 2014

Alexandre Moreira, Coordenador da Casa de Leitura Lya Botelho

REMEMORIA 80: o acervo de Elias Abrahim Neto em exposição na Casa de Leitura Lya Botelho


REMEMÓRIA 80


A Casa de Leitura Lya Botelho, dentro do projeto “Leopoldina: Memória e Patrimônio”, vem pelo 2º ano consecutivo propor uma reflexão sobre os bens culturais, materiais e imateriais, que representam as estruturas onde o núcleo social constrói sua história.

O acervo do leopoldinense Elias Abrahim Neto, cuja parcela referente aos anos 80 do século passado é o motivo desta exposição, constitui um exemplo de como o cidadão comprometido com seu tempo e lugar pode dar guarda à história local, colecionando-a através do olhar atento e a significativa seleção e registro dos fatos.

Em todo o mundo a década de 80 foi de grandes mudanças, tanto no comportamento das pessoas, seja pelo avanço tecnológico ocorrido ou pelas revoluções e crises políticas. As Artes em geral, como sempre, muito bem refletiram esses tempos atribulados apropriando-se da crescente evolução tecnológica e sua popularização (fotografia e vídeo digital, internet, computadores domésticos, TV’s a cabo, etc) para diagnosticá-los e registrá-los.

Elias Abrahim Neto foi um desses cidadãos que se apropriaram dos benefícios das novas tecnologias e equipamentos disponíveis para registrar e comentar o seu tempo. A facilidade oferecida pela câmera fotográfica compacta, mais leve e o acesso a novas  máquinas impressoras, inclusive às potentes e sofisticadas fotocopiadoras, possibilitaram que o jovem Elias pudesse expressar-se mais e melhor naquilo que muito lhe agradava: o registro de tudo o que possa constituir o patrimônio de sua cidade natal.

Nasceu então o ALMANACK DO ARREBOL, de formato inspirado nos existentes almanaques que costumeiramente eram distribuídos em farmácias e outros prestadores de serviços. Em muito lhe agradava a liberdade de, num mesmo material, poder abordar a arte e a cultura ao entretenimento. De pequeno formato, a revista, dependendo de patrocinadores, circulava com alguma regularidade e existiu até a sua 9ª edição trazendo entrevistas com pessoas de destaque na cidade, registrando fatos e ocasiões de importância, dando espaço para que escritores, memorialistas, desenhistas, gravadores e fotógrafos pudessem se expressar e, à maneira dos demais almanaques circulantes, explorando o lazer através do humor, tirinhas e palavras cruzadas.

A importância do ALMANACK DO ARREBOL é justificada pelo registro de iniciativa independente de pessoas e eventos que se mostravam importantes nos aspectos socioeconômicos e culturais daquela década, em Leopoldina, em plena Zona da Mata mineira. Sem competir com os jornais existentes na época, o ALMANACK pode ser visto como um precursor dos suplementos culturais de hoje.

A exposição que ora apresentamos pretende levar o visitante a uma viagem àquela década através do olhar de Elias Abrahim Neto. São centenas de fotos dos seus arquivos pessoais, registros realizados por ele sem pretensões artísticas outras do que a de perpetuar uma cidade que estava começando rapidamente a se transformar, perdendo ou substituindo algumas das suas características, adquirindo nova silhueta e desenvolvendo novas maneiras, costumes e necessidades. Ruas, praças, construções, pessoas, festas populares, eventos políticos, personagens locais, praticamente tudo e todos ocuparam a atenção de Elias. Basta, entretanto, um passar de olhos nessas fotografias e nos textos e imagens de qualquer dos números do ALMANACK DO ARREBOL para percebermos que não há a fria e pretensa neutralidade jornalística nos elementos expostos. Ao contrário, o autor se dispõe comentar, pelo recorte do seu olhar, aqueles tempos, sua própria terra e seus habitantes, num eloquente registro crítico e sentimental.

Graças ao patrocínio e apoio da ENERGISA, da Prefeitura Municipal de Leopoldina, da Secretaria de Educação e da Secretaria de Cultura, Esportes, Lazer e Turismo, bem como da FOJB-Fundação Ormeo Junqueira Botelho, a Casa de Leitura Lya Botelho tem a grande satisfação de apresentar o Acervo Elias Abrahim Neto na certeza que o mesmo possa ser inspirador para o melhor conhecimento da História e valorização da Cultura local. Esperamos que o visitante reconheça, assimile e desenvolva a importância da preservação e catalogação dos bens culturais da cidade para o enriquecimento do registro da História local. Os futuros cidadãos leopoldinenses agradecerão essa iniciativa.

A exposição permanece aberta ao público de 04 de novembro a 20 de dezembro de 2014.

Leopoldina, Novembro/Dezembro de 2014


Alexandre Moreira, Coordenador da Casa de Leitura Lya Botelho

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tarde de domingo com "A Bruxinha que era boa"



O Grupo Seiva de Luz é um parceiro muito querido pela Casa de Leitura Lya Botelho e há algum tempo vem se apresentando aqui na Casa de Leitura, para o encantamento da garotada e, também, do público adulto.

Espetáculo teatral tem público certo e cativo e a nossa experiência é a melhor possível. Desde a primeira peça apresentada, "Pluft, o Fantasminha", o público presente superou nossas expectativas. Seguiram-se mais 2 peças infantis, "O Rapto das Cebolinhas" e, agora, "A Bruxinha que era boa", todas escritas por Maria Clara Machado e dirigidas por Zezé Salles.

Neste domingo, mais de 250 pessoas fizeram a platéia para os atores do Seiva de Luz contarem a história dessa bruxinha que sentia-se inadequada e sofria um verdadeiro "bulling" das suas colegas. Divertido, muito colorido e, sobretudo, produzido e apresentado com muito carinho e dedicação, o espetáculo foi, uma vez mais, um sucesso.

Nossos agradecimentos ao público que aqui compareceu e, é claro, aos atores do grupo, ao pessoal da técnica e, sobretudo, à diretora Zezé Salles que é reconhecidamente um exemplo a ser seguido em seu trabalho em favor das Artes locais.

Este espetáculo teve o patrocínio da ENERGISA e o Apoio Institucional da FOJB-Fundação Ormeo Junqueira Botelho.



terça-feira, 28 de outubro de 2014

Montando uma exposição (ou duas, no caso...)


Montar uma exposição é trabalho para quem realmente gosta e está ciente de que irá usar todo o seu tempo, talento, paciência e técnica para obter o resultado pretendido.

Desde os primeiros momentos, quando há que se pensar no que exibir, no que expor, o que realmente será o tema da exposição, até a hora em que o primeiro visitante chega, muitos dias e noites passarão, muitas dúvidas, acertos, discussões, pesquisa, contatos, decepções, ajustes, reuniões e dinheiro (sim, dinheiro, porque uma exposição pode custar muito mais do que imaginamos ao visitá-la) serão usados e gastos.

Entre escolha dos temas, planejamento, esboços, adequação, levantamento do material, elaboração do projeto didático, dos textos, das etiquetas informativas, das legendas, da produção do material gráfico, da preparação do espaço e, finalmente, da montagem propriamente dita, passaram-se meses. Mas quando, finalmente, as peças vão sendo colocadas no lugar, as idéias e imagens vão-se encaixando, a satisfação gerada é tão grande que esquecemos todas as pequenas ou grandes dificuldades.

Graças ao patrocínio da ENERGISA e o Apoio Cultural da Prefeitura Municipal de Leopoldina, da Secretaria de Educação e da Secretaria de Cultura, Esportes, Lazer e Turismo do município, bem como o da FOJB-Fundação Ormeo Junqueira Botelho, a Casa de Leitura Lya Botelho irá proporcionar, de 3 de Novembro a 20 de Dezembro, mais um grande evento cultural para a nossa cidade e região.

 Acreditamos que nunca é demais resgatarmos nossa história, nossos valores, nossos personagens, nosso patrimônio, nossa cultura, enfim. Essas 2 exposições que acontecem simultaneamente visam resgatar 2 grandes patrimônios da nossa cidade: a obra pictórica do saudoso Luiz Raphael Domingues Rosa e o acervo fotográfico do pesquisador e memorialista Elias Abrahim Neto, que na década de 80 do século passado editou o "Almanack do Arrebol", uma revista cultural inteiramente produzida em Leopoldina.

Esperamos que, com essas duas mostras, todos nos sintamos orgulhosos do patrimônio material e imaterial do nosso município, e que sejamos estimulados em preservá-los para que as futuras gerações deles possam também se apropriar.

Agradecimentos especiais a parceiros e fornecedores muito especiais: PRComunicação, Focus Fotografia e Video, César-Banca de Revistas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Exposição FOLCLORE E TRADIÇÃO

Exposição FOLCLORE E TRADIÇÃO

Os visitantes no mês de Agosto/2014 à exposição FOLCLORE E TRADIÇÃO, na Casa de Leitura Lya Botelho, em Leopoldina-MG, totalizou 4.460 pessoas sendo a grande maioria alunos das escolas públicas e privadas do município.
Nossos agradecimentos vão a todos os que colaboraram para que este evento acontecesse e, sobretudo, ao Grupo Assum Preto, à Secretaria Municipal de Educação de Leopoldina e à Superintendência Regional de Ensino.
Esta exposição foi patrocinada pela ENERGISA e tem o apoio da FOJB-Fundação Ormeo Junqueira Botelho